CAMINHOS TECIDOS: exposição revela histórias que compõem a indústria têxtil do Agreste em Pernambuco

O “Coletivo Ciano, Cidade“, vai trazer para as cidades do Agreste Pernambucano a Exposição Caminhos Tecidos. Será uma jornada de exibição itinerante de fotografias que circulará por Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru. Esta é a culminância da pesquisa que vem amadurecendo a discussão em torno da Indústria Têxtil no Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco. O coletivo reune nesta mostra o que construíram e refletiram por meio de ações educativas, lançamento de livro e, agora, esta experiência visual e tátil.

Foto – divulgação do projeto

A exposição itinerante acontece nas cidades-chave deste polo:
Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe.

Comecemos analisando que o surgimento e a consolidação do Ajuntamento Produtivo Local (APL) no Agreste geraram imensos impactos econômicos e sociais. Sim, para além da prosperidade e desenvolvimento econômico (veja Manifesto Sulanca). Nossas três cidades ilustram, de forma notável, as transformações urbanas e a identidade cultural intimamente ligada à confecção. Grande parte desta produção, como sabemos, surge das chamadas “facções” – pequenas fábricas, muitas vezes instaladas nas casas dos próprios trabalhadores.

Foto – divulgação do projeto

É por isto que o “trabalho” se apresenta como uma imagem opaca, um conceito que está muito próximo mas nos escapa por entre os dedos. Quando a rotina fabril se confunde com a vivência doméstica num entrelaçamento indistinto, opaco. Vemos então a febre do trabalho atravessar a identidade das cidades do Polo, sendo uma de suas expressões mais concretas. É assim que o olhar desta exposição se move para “revelar o que está por trás”. Propõe mudar o assunto de lugar – um exercício baseado na perspectiva do outro.

Certamente vale saber que a exposição “CAMINHOS TECIDOS” reúne um misto de fotografias e instalação têxtil, que traduz a prática fotográfica do coletivo Ciano, Cidade. É quando o movimento perpétuo das máquinas, as paisagens saturadas da feira e a natureza-morta dos manequins atravessam o olhar inspiração capturador dessa realidade.

Foto – divulgação do projeto

Esta mesma realidade na exposição vem sendo apresentada com 11 imagens impressas em fine art, fotografias em cianotipia revelando pessoas trabalhadoras e intervenções colaborativas.

E como ponto curioso destas fotografias, o simbolismo da natureza-morta, faz-se surgir dos corpos reais responsáveis por sustentar toda a economia local. Ainda fazendo-se valer do substantivo (o produto), que faz surgir o verbo (o fazer). Segue reinterpretando as imagens de tudo o que foi tecido, mas não conclui: pois o coletivo acredita que restam ainda muitos fios a serem entrelaçados.

Com este projeto, a interiorização das artes visuais e a ocupação de equipamentos públicos em Pernambuco é visada. Isto torna real a missão de difundir a importância da arte aliada a ações educativas. E na prática durante a exposição, o público terá acesso a formações nas áreas de fotografia e design.

Foto – divulgação do projeto

Sendo assim a proposta de reflexão se apresenta sendo a mostra uma oportunidade de aproximação e troca com todos os agentes da indústria têxtil. E será através da mediação de visitas, ativação do público levado a refletir sobre a temática trabalhista e ambientalista, para além da perspectiva puramente econômica.

Confira: os locais e vivências com entrada gratuita da circulação serão em espaços importantes de cada cidade. Sendo:
– Santa Cruz do Capibaribe: Museu da Sulanca – 5 a 26 de novembro de 2025
– Toritama: Espaço Central – 28 de novembro a 19 de dezembro de 2025
– Caruaru: Porto Digital – 16 de janeiro a 6 de fevereiro de 2025

Junto da exposição acontecerão vivências como apresentação de filmes, debates e oficinas de fotografia. Todas estas enfatizando a importância do trabalho na confecção para a configuração do território e da cultura do Agreste Pernambucano.

A circulação da “CAMINHOS TECIDOS” começa em Santa Cruz do Capibaribe.

  • Abertura Oficial: 5 de novembro, às 19h.
  • Local: Museu da Sulanca.
  • Vernissage: O evento de abertura contará com visita guiada, debate com o coletivo fotográfico e apresentação musical da banda Gema Sonora.
Foto – divulgação do projeto

Com duração de 20 dias em cada cidade, a autoralidade ganha as lentes e o foco, possibilitando um senso de identificação. Isso resulta emincentivar a produção local e lançar um olhar crítico para as questões econômicas, ambientais e culturais da região. Para garantir que todos possam participar, a exposição conta com recursos de acessibilidade, como audiodescrição e Libras, além de atividades educativas gratuitas.

O grupo de cinco fotógrafos e fotógrafas que pensou e construiu este projeto, atua no Agreste de Pernambuco desde 2022, são:

  • Dênis Torres: Produtor cultural e fotógrafo de Toritama, com experiência no universo da costura.
  • Gabriella Ambrósio: Comunicóloga, fotógrafa e produtora executiva da ação itinerante.
  • Palloma Mendes: Designer e fotógrafa de Garanhuns, responsável pelo projeto gráfico.
  • Williams Pereira: Geógrafo e fotógrafo de Recife, autor dos textos da exposição.
  • Ythalla Maraysa: Fotógrafa experimental de Caruaru, que assina o projeto expográfico.
Foto – divulgação do projeto

Para a exposição o coletivo conta ainda com mediação cultural de Adelmo Teotônio e Vinicius Tavares. Na consultoria e produção de acessibilidade os profissionais Jéssica Santos e Michell Platini. E a assessoria de comunicação ficou com Rodolfo (eu mesmo) e Raquel Santana.


Financiamento: Este projeto é realizado com apoio dos editais da Secretaria de Cultura do estado de Pernambuco. Através da lei de incentivos da Política Nacional Aldir Blanc, Ministério da Cultura, Governo Federal e Governo de Pernambuco.


Quem vai comigo?

Aproveite a chance de mergulhar nas histórias e na identidade do Polo de Confecções de Pernambuco através de um olhar artístico e crítico. A exposição “CAMINHOS TECIDOS” é uma experiência visual única, que convida você a ser parte desse diálogo sobre o trabalho e o território. Visite a abertura em Santa Cruz do Capibaribe, no Museu da Sulanca, dia 5 de novembro, às 19h! Fique de olho nas nossas redes sociais para acompanhar a programação completa nas três cidades e ajude a tecer essa conversa compartilhando este post!

Sobre Rodolfo Alves

Sou publicitário que vivo criando conteúdos e ideias, fuçando novidades. Amo a comunicação e estou interessado pela moda no mundo: seja ela nas passarelas de grifes famosas ou nas feiras populares do Brasil.

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