CyberAgreste é quando o descarte vira arte no agreste pernambucano

CyberAgreste é quando o descarte vira arte no agreste pernambucano

Nos dias 27 e 28 de setembro de 2025, o agreste pernambucano será palco de uma experiência inédita. O CyberAgreste, mostra artística realizada em São Domingos (Brejo da Madre de Deus, vizinho a Santa Cruz do Capibaribe), reúne obras de 22 artistas que transformam resíduos têxteis e eletrônicos em artes plásticas, moda, instalações, música e audiovisual (mas não somente).

O evento propõe pensar o futuro a partir daquilo que o sistema descarta. Afinal, o que separa o lixo da arte é menos a matéria e mais a história que escolhemos contar com ela.

Foto divulgação – ALANE PIMENTA

Moda circular e crítica no coração do Polo de Confecções

O agreste pernambucano é um dos maiores polos têxteis do Brasil, mas também um dos que mais produzem resíduos. Só em Santa Cruz do Capibaribe (maior cidade produtora de vestuário desta região) são geradas mais de 44,4 mil toneladas de artigos têxteis por ano, o dado em escala de grandeza pode ser ainda maior quando consideramos os resíduos que ficam pelo caminho nessa produção agigantada.

O CyberAgreste nasce desse contexto e reforça um questionamento importante na ausência de dados qualificados e quantificados desse volume de descarte residual da produção fashion. É mais do que uma exposição: é oficina, ateliê, fabril, fabulação. Entre retalhos, fios e sucatas, surgem ciborgues agrestinos que atravessam moda, música, artes visuais e audiovisual para imaginar futuros radicais, onde o descarte se torna potência criativa.

Foto divulgação – ALANE PIMENTA

Artistas e obras do CyberAgreste 2025

A mostra reúne diferentes linguagens — da moda ao audiovisual — com trabalhos que reelaboram narrativas a partir de resíduos em expressões críticas e afetivas. Conheça todos os nomes participantes e o título de suas obras:

Primeira colagem de 12 imagens do rosto de artistas participantes da curadoria. Segue iniciando com a artista Adriana Ferreira da direita para a esquerda, em duas linhas de 6 artistas por linha na mesma ordem abaixo até o número 12 sendo o artista Rudrigo
Segunda colagem de 10 imagens do rosto de artistas participantes da curadoria. Segue iniciando com a artista número 13 na ordem sendo ela: Thammy Farias da direita para a esquerda, em duas linhas de 6 artistas na primeira linha e 4 artistas na segunda linha na mesma ordem do texto abaixo até o número 22 sendo o artista Kaleidoscope a ultima da ordem.
  1. Adriana FerreiraEntre Caminhos e Memórias
    Tapeçaria bordada a partir de retalhos que costura memórias do Rio Capibaribe e questiona seu destino diante do descarte.
  2. Analú Luize Araújo da Silva (Analú Araújo)Estradiol arcaico / Mapô neotécnica — Coleção “L.E-A-02 BIONIC DOLLS”
    Moda/instalação com patchwork de denim e lixo eletrônico (botas, corset e blusa reciclada), refletindo sobre corpo, tecnologia e identidade.
  3. Assis AlvesVestido Camadas — Coleção “ENTRELINHAS”
    Peça de moda criada de restos de linhas e bases reaproveitadas, crítica ao ritmo acelerado do fast fashion.
  4. Daiane MaiaraCoberto de Progresso
    Instalação em tela reciclada, nylon, algodão e tinta corrosão, revelando os impactos ocultos do polo comercial.
  5. JoãoL301Bolsa Só Não Pode Contar Para Ninguém
    Bolsa feita com fuxicos de retalhos e sacola plástica, inspirada em memórias familiares e reflexão sobre poluição.
  6. IonaraAfogamento
    Tela com escultura em biscuit e colagem de tecido que representa o sufocamento da natureza pelas ilhas de descarte.
  7. Laura (Casa Laranja Lima)O Capitalismo falhou, falha e falhará — Coleção “Sal Brasil”
    Painel têxtil com jeans reciclado, colagem e bordado que critica as dinâmicas exploratórias do sistema capitalista.
  8. MajuDo lixo ao vestir
    Conjunto de moda feito com sacolas plásticas pintadas, retalhos e aviamentos de galpões, revelando diversidade do descarte.
  9. MayRetalhos do meu ser
    Vídeo experimental com moda de reuso, trilha autoral e cenas do Moda Center, refletindo sobre território e identidade.
  10. Lais Saint’clairCyborg
    Instalação escultórica com manequim, fios e resina que metaforiza o corpo feminino operário e sua relação com a máquina.
  11. Pedro DinizCostura ecológica
    Canção-performance que atua como manifesto pela moda consciente e reaproveitamento de tecidos.
  12. RudrigoDescanso costurado
    Obra têxtil em upcycling de jeans sob cadeira, discutindo memória, pertencimento e identidade
  13. Thammy FariasRenascer das Sobras — Coleção “Jardim-neira”
    Peça de patchwork, crochê e bordado livre que simboliza reinvenção a partir do que sobra.
  14. WilksRetalho Transparente / Retrabalho
    Projeto audiovisual e sonoro que mistura clipes, figurinos de retalhos e música autoral sobre descarte e resistência.
  15. Eudhes SellenCONEcTANDO CONExXÕES ARTIsTICAs / Multi-Coloridos-Mil
    Tapete e mesa feitos de cones de linha reutilizados, transformando descarte em objetos de luxo e uso.
  16. Coletivo Oficina Criativa (Diego Santos, Itamara Vanessa, Marilia Beatriz, Samuel Davi)O peso do voo
    Quadro em tecido reaproveitado que dialoga com a geografia do Moda Center e o descarte no território.
  17. Artes da SilvâniaO que resta também floresce
    Obra que transforma folhas e tecidos esquecidos em poesia visual sobre ancestralidade e memória afetiva.
  18. kev/kevs/KVSIntensão
    Instalação que desloca resíduos têxteis e sucatas, criando portais de imaginação de futuros radicais. Artista residente do coletivo Facção Kapybarybe
  19. Thales AméricaKapybaras e Peixes Bagre são ciborgues
    Narrativa performática sobre bichos híbridos que sobrevivem em rios-esgoto, metáfora de resistência e sobrevivência precária. Artista residente do coletivo Facção Kapybarybe
  20. RodolfoPelo amor de deus me tira daqui
    Instalação em primeira, segunda e terceira pessoa, sobre rejeitos da moda, saturação e busca por escape. Artista residente do coletivo Facção Kapybarybe
  21. Karol DinizPalestina Costurada (a partir da obra coletiva)
    Curta que acompanha jovens do bairro Palestina na criação coletiva de um painel com memórias e retalhos do território. Artista residente do coletivo Facção Kapybarybe
  22. KaleidoscopePalestina Costurada (obra coletiva)
    Tapeçaria feita por estudantes da Escola Lucinalva Santos Aragão com retalhos e frases sobre identidade e cultura local. Artista residente do coletivo Facção Kapybarybe

Foto divulgação – ALANE PIMENTA

Por que o CyberAgreste importa

Mais do que exposição, o CyberAgreste 2025 é uma cartografia afetiva e política do agreste pernambucano em seus novos dias refém do desenvolvimento, especulação capitalista e enfrentamento das questões climáticas. É crítica à lógica do descarte, mas também afirmação de que a moda e a arte podem ser ferramentas de transformação social, para agir glocalmente.

Foto divulgação – ALANE PIMENTA

CyberAgreste 2025 acontece nos dias 27 e 28 de setembro, em São Domingos (Brejo da Madre de Deus, PE). A entrada é gratuita.

👉 Acompanhe mais novidades em @retalhocriativo_ e @faccaokapybarybe.


Foto divulgação – ALANE PIMENTA

Serviço

📍 Data: 27 e 28 de setembro de 2025
🕘 Horário: 9h às 18h
📍 Local: Rua Luiz Cecílio de Santana, 150 – Anexo do Centro Educacional Santa Maria, Distrito de São Domingos, Brejo da Madre de Deus (PE)
🎟️ Entrada gratuita

Quem faz o CyberAgreste

  • Curadoria: Coletivo Facção Kapybarybe
  • Texto curatorial: Kevin Gomes e Thales América
  • Produção Executiva: Karol Diniz
  • Direção Criativa: Karol Diniz
  • Direção de Arte: Alane Pimenta
  • Pesquisadora: Alane Pimenta
  • Assistente Executivo: Kevin Gomes e Thales América
  • Expografia: Karol Diniz
  • Coordenadora de Montagem: Alane Pimenta
  • Equipe de Montagem: Coletivo Facção Kapybarybe
  • Assistente de produção: Bruno Rodrigo
  • Cenógrafa: Karol Diniz
  • Assessor de Comunicação: Rodolfo
  • Social Media: Rodolfo
  • Fotógrafa: Daiane Maiara
  • Designer gráfico: Karol Diniz

Projeto realizado com incentivo da Secretaria Executiva de Cultura do Brejo da Madre de Deus, por meio do Edital 001/2024 – Áreas Periféricas (PNAB), através do Ministério da Cultura — Governo Federal.

IMAGEM DA CAPA: KAROL DINIZ – 2025

Sobre Rodolfo Alves

Sou publicitário que vivo criando conteúdos e ideias, fuçando novidades. Amo a comunicação e estou interessado pela moda no mundo: seja ela nas passarelas de grifes famosas ou nas feiras populares do Brasil.

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